Financiamento
para imóveis usados cai mais de 80%
Crédito
imobiliário com verba do FGTS desaba.
O
financiamento de imóveis usados com
recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sofreu uma queda acentuada
nos últimos meses, após uma série de medidas do governo que priorizaram a compra
de imóveis novos.
De acordo
com dados da Caixa
Econômica Federal, no programa
Minha Casa, Minha Vida (MCMV),
houve uma redução de 85%
no crédito destinado à aquisição
de imóveis usados nos últimos dois meses Para os cotistas
do fundo com renda superior a R$
8 mil, a queda foi ainda mais expressiva, de 98%, entre 2021, maio e outubro.
O FGTS é utilizado para oferecer empréstimos com juros mais baixos para a compra
da casa própria, por meio de bancos operadores. O MCMV é voltado para famílias
com renda mensal de até R$ 8
mil e financia imóveis de ate R$350 mil.
Para quem tem conta no FGTS e ganha mais do que esse valor, há a modalidade Pró-Cotista, que financia imóveis de até R$ 1,5 milhão.
Porém, devido à escassez de recursos,
a Caixa Econômica passou a exigir uma entrada maior para o financia mento
da casa própria com recursos do fundo, especialmente para a classe média.
Inicialmente,
o
programa Minha Casa, Minha Vida
não permitia a compra de imóveis
usados, mas essa possibilidade foi introduzida no governo de Jair Bolsonaro e mantida durante a
reformulação do programa no governo de
Luiz Inácio Lula da Silva. O
objetivo era combater
o grande déficit habitacional do país, que, segundo dados do Censo de 2022, é de
6,2 milhões de moradias, além de dar vazão aos 11,4 milhões de imóveis vagos no
Brasil. No entanto, a procura por imóveis
usados superou as expectativas.
Em
2023, os imóveis usados representaram 29,32% de todos os financiamentos
com recursos do FGTS,
mais do que o dobro de 2022,
quando a participação foi de 13,25%. Em 2021 a
fatia era de apenas 6,25%. Essa preferência pelos imóveis mais antigos foi ainda mais acentuada nas faixas de renda mais
altas, com 65,41% no Pró Cotista e 38,72% na faixa
3 do
MCMV, voltada para famílias com renda entre R$ 4,4 mil e R$ 8 mil. Com o aumento
da demanda
por imóveis usados, o Ministério das Cidades decidiu
reduzir gradualmente
o financiamento desse tipo de imóvel, a fim
de equilibrar o orçamento do FGTS, que estava sendo pressionado por essa procura. O governo
começou a diminuir os subsídios para imóveis usados em 2023, e,
em abril e agosto deste ano,
adotou novas medidas para restringir ainda mais o
acesso a esses imóveis, priorizando as faixas de renda
mais baixas. Agora, na faixa 3 do MCMV, a entrada mínima para a compra
de imóveis usados é de 50% para
quem reside no Sul e Sudeste, e 30% nas demais regiões. Além disso, o valor
máximo do imóvel usado que pode ser financiado foi reduzido de R$ 350 mil para R$ 270 mil, e o orçamento destinado
ao financiamento de imóveis
antigos foí Iimitado a R$ 13,3 bilhões. No Pró-Cotista, os imóveis usados só podem ser financiados por
pessoas com renda inferior a R$ 12
mil e um valor de entrada mínimo de 50%.
Apesar
dessas restrições, os imóveis usados ainda representam uma parcela
significativa do financiamento. Até
outubro, os financiamentos de imóveis usados no MCMV somaram R$ 21,1 bilhões, o que equivale a 27,4%
do total de crédito contratado pelo banco, que
foi de R$ 77,1 bilhões. Esse
percentual era de 31,2% até agosto, quando o governo
endureceu ainda mais as
condições para a compra desses imóveis. Em
agosto, as concessões para imóveis usados
chegaram a R$ 2,8 bilhões, o
maior valor desde o início de 2023, financiando 18 mil unidades. No mês seguinte, houve uma queda de 70%, com concessões de apenas R$ 423 miIhões, financiando
3.114 unidades, uma redução de 85% em
comparação com agosto.
No Pró-Cotista, a diminuição foi ainda mais acentuada, especialmente após a implementação das restrições
em maio. O financiamento de imóveis
usados caiu de R$ 263 miIhões para R$ 5 milhões, uma redução de 98%, e o número de unidades financiadas passou de 1.023 para apenas 29. O ministro das Cidades, Jader FiIho,
afirmou que as restrições visam equilibrar a poIítica habitacional e que estão
sendo avaliadas constantemente para possíveis ajustes, com o objetivo
de manter a saúde financeira do orçamento do FGTS. As informações são da Gazeta
Brasil.
fonte: www.osul.com.br